Elizabeth Bishop

bishop

Elizabeth Bishop nasceu no dia 8 de fevereiro de 1911, em Worcester, Massachusetts. O seu pai morreu, quando Bishop tinha 6 meses e a mãe, pouco depois, foi internada numa clínica para pessoas com distúrbios mentais. Bishop foi então criada até os 6 anos de idade pelos avós maternos, na Nova Escócia, em “Great Village“, onde se sentia acolhida e amada. Mas quando foi levada pelos avós paternos, mais abastados, para morar com eles em Worcester, não se sentiu em casa e começou a ter sérios problemas de saúde. Passou a ter crises de asma e acabou sendo criada por uma tia, que também morava em Worcester, e que cuidou de Elizabeth até ela entrar num internato, em 1927. Ingressou, depois, em uma faculdade para mulheres, em Vassar, Pougkeepsie, N. York, graduando-se em 1934, o ano em que a sua mãe morreu. Ainda em 1934, conheceu a sua madrinha literária, a escritora norte-americana Marianne Moore, que muito haveria de influenciar a sua obra.

De 1939 a 1948, Bishop morou em Nova York e em Key West, Flórida, na rua White Street, 624. Esta foi a sua primeira casa onde viveu num clima tropical, semelhante ao que encontraria no Brasil. Tanto em Key West quanto em Cuba, outro local onde viveu, Bishop conviveu com pessoas pobres e simples da região. Nos anos de 1949 e 1950, trabalhou como Consultora para assuntos ligados à Poesia na Biblioteca do Congresso, em Washington. Nessa época, sofreu muitas crises de depressão, refugiando-se no álcool, um vício contra o qual lutaria a vida inteira.

Bishop chegou ao Brasil em 1951 e aqui viveu com a companheira Lota Macedo Soares por aproximadamente 15 anos. Nos primeiros tempos, morou com Lota em Petrópolis, em um sítio chamado Samambaia, que ficava no topo da montanha, onde as nuvens baixas pareciam querer entrar nos quartos. Naquela casa, construída pelo arquiteto Sérgio Bernardes, Bishop sentiu-se feliz e amada, conseguindo reduzir o seu consumo de álcool. Teve o seu primeiro estúdio, onde costumava trabalhar, e que ficava, no meio da mata, perto da casa principal.

O Brasil foi um acidente feliz na vida e na obra de Bishop. A poetisa havia conhecido Lota em 1942, em Nova York. Em 1951, ao decidir fazer um cruzeiro para a Terra do Fogo, na Patagônia, aos 40 anos de idade, Bishop decidiu parar no Rio de Janeiro para visitar uma amiga. Desembarcou no Porto de Santos e, no Rio, ficou hospedada no apartamento de Lota, no Leme, em uma cobertura no 11º andar de um prédio na Avenida Atlântica, de onde tinha uma linda vista da Praia de Copacabana.

Contudo, o que deveria ser uma breve estada no Rio de Janeiro acabou se prolongando por anos. Aconteceu que, ao chegar no Rio, Bishop provou o fruto do caju e teve uma forte crise de alergia, chegando a se internar em um hospital devido a uma crise de asma. Lota cuidou dela e acabaram se apaixonando, tornando-se companheiras.

Na década de 60, tudo mudou na vida de Bishop e mudou para pior. Lota, que era amiga do governador do Rio de Janeiro, Carlos Lacerda, então Cidade da Guanabara, foi convidada para trabalhar como urbanista na construção do Aterro do Flamengo. O fato de Lota ter aceitado trabalhar naquele empreendimento fez com que ela e Bishop deixassem de morar em Petrópolis, mudando-se para o apartamento do Leme. Na época, a inflação no Brasil estava alta, o que preocupava muito Lota. Esta passou a trabalhar num ritmo acelerado, o que a deixava esgotada e sem tempo nenhum para se dedicar a Elizabeth Bishop que, sentindo-se abandonada, voltou a beber mais do que nunca. A relação entre as duas, naturalmente, começou a deteriorar.

Bishop, por sua vez, passou a viajar, com frequência. Esteve no Amazonas, encantando-se com as lendas e a natureza do norte do Brasil. Ficou fascinada com a cidade de Santarém no Pará. Veio a Bahia e ficou curiosa em conhecer o nosso candomblé. Em Minas Gerais, ela se encantou, especialmente, com as construções coloniais, com as estátuas barrocas que viu na cidade histórica de Ouro Preto, com aquela bela paisagem montanhosa; enfim, tudo isso a seduziu. Resolveu então comprar uma casa velha, praticamente em ruínas, em Mariana, mas iria restaurá-la com o dinheiro que ganhara no Pulitzer Prize de Literatura. E ficava em frente à casa de Lili Correa de Araujo, com quem começou a ter um caso amoroso. A fim de levantar mais recursos para a reforma da casa e também desejosa de se distanciar de Lota, aceitou, então, um convite para dar palestras na Universidade de Seattle, em Washington. Viajou em dezembro de 1965, só retornando ao Rio de Janeiro um ano depois. A sua relação com Lota continuava a deteriorar.

Em 1967, Lota não estava bem de saúde, encontrando-se em um estágio avançado de artereoesclerose; mesmo desaconselhada pelos médicos, decidiu viajar para encontrar Bishop em Nova York. Lá, não foi recebida de modo caloroso e, na mesma noite da chegada, tomou uma overdose de tranqüilizante, falecendo alguns dias depois.

Cheia de culpa e rechaçada pelos antigos amigos de Lota, Bishop ainda alternou períodos em São Francisco, Ouro Preto e Harvard. Mas, desgostosa e magoada com o Brasil, onde havia sido tão feliz, resolveu voltar definitivamente para os EUA em 1970 e dar aulas na Universidade de Harvard. Mas lá, de um modo geral, não era respeitada pelos outros professores, não só por não ser acadêmica, como também, possivelmente, pelo vício da bebida que a perseguia. Sentiu-se tão humilhada em Harvard, que resolveu deixar a maioria de seus manuscritos não ali, como pensara, inicialmente, mas em Vassar College, onde se graduara.  Quanto à sua Casa Mariana, assim chamada em homenagem a Marianne Moore, Bishop deixou para os irmãos Linda e Carlos Alberto Nemer, que até hoje cuidam da moradia com esmero, recebendo ali os estudiosos da obra de Elizabeth Bishop.

Finalmente, Bishop mudou-se para Boston em 1974. Passou os últimos anos da vida com Alice Methfessel, que havia sido sua secretária em Harvard e é sua herdeira nos EUA. Nesta última fase de sua vida, continuou dando palestras em Harvard e também viajou para muitos lugares, como o Equador, o Peru, as Ilhas Galapagos, a Nova Escócia, o México, a Ilha do North Haven em Maine, as ilhas gregas, Veneza e esteve novamente no Brasil. Elizabeth Bishop morreu em Boston, de um aneurisma cerebral, no dia 6 de outubro de 1979.

OBRA PUBLICADA

  •  North and South (1946)
  • Poems (1955)
  • Brazil (1962) –  encomenda da Revista Life
  • Questions of travel (1965)
  • An Anthology of Twentieth Century Brazilian Poetry (1972)

tradução de poemas brasileiros

  • Geography III (1976)
  • Diary of Helena Morley (1977)

tradução do Diário de Helena Morley de Alice Brandt.

  •  The Complete Poems (1983)
  • The Collected Prose of Elizabeth Bishop (1983).

OBRA NÃO PUBLICADA

  • Manuscritos de poesia e prosa, manuscritos do livro Brazil (Special Collection, Vassar College, Poughkeepsie, New York)
  •  Correspondência com Robert Lowell e cópia microfilmada de um exemplar do livroBrazil com correções feitas de próprio punho pela autora (Harvard University)

PUBLICAÇÕES DO SITE

(2014) Manuscritos de Elizabeth Bishop – Organização do Acervo e Análise Genética do Conto “A Trip do Vigia”
(2012) Um Porto Seguro para Elizabeth Bishop
(2007) Manipulção de Textos do livro ‘Brazil’ de Elizabeth Bishop pela ‘Time-Life’ Representação de Grupos Étnicos
(2006) Ouvindo As Vozes do Outro e Traduzindo a Sua Cultura – Elizabeth Bishop e o Quarto Centenário do Rio de Janeiro
(2005) The North of Brazil in Bishop’s Work
(2003) Lendas Brasileiras e a Poesia de Elizabeth Bishop – “O Ribeirinho”
(2002) Momentos Brasileiros no Processo de Criação de Elizabeth Bishop
(2001) Brazilian Flashes Parade in Bishop’s Manuscripts
(2000) Percorrendo os Manuscritos de Elizabeth Bishop – A Plasticidade do Pensamento
(1999) Bishop Fictionalizes Creation in a Watercolor-Looking Poem
(1999) Reflexões Sobre o Poema “One Art”, de Elizabeth Bishop
(1999) Percorrendo os Manuscritos de Elizabeth Bishop

ONE ART POR ELIZABETH BISHOP: PROPOSTA DE UMA EDIÇÃO GENÉTICO-DIGITAL CONVERGENTE

A convergence of media and the aesthetics of liquid culture: One Art by Elizabeth Bishop

elizabeth bishop

O POEMA “ONE ART”

A teia semiótica em torno do poema One Art é suplementada, à cada dia, pelos diálogos que estabelece com diversas mídias e textos nas várias linguagens. Ao se buscar “One Art,Elizabeth Bishop” no site de pesquisa “Google”, em 20/10/2011, encontrou-se em média 2.020.000 resultados. A partir destes resultados, nos deparamos com vídeos feitos a partir deste poema; animações; o filme In Her Shoes, no qual a atriz Cameron Diaz recita o poema para um paciente; o poema lido por diferentes pessoas e pela própria autora; análises críticas da obra; o poema From Orient Point, escrito pela autora americana Marilyn Hacker em resposta ao poema One Art de Bishop; uma música cantada por Luis Passos, o livro A Arte de Perder (2011), escrito pelo autor Michael Sledge bem como imagens pictóricas as mais variada. Enfim, há uma múltipla rede semiótica. Sendo assim, por meio dos hiperlinks sugeridos para serem navegados, facilitamos para o leitor percorrer esse sistema pluridimensional para experimentá-lo de modo que vários sentidos sejam interpelados de modo convergente.

Exemplos de mídias diversas:

Vídeos:

Animação:

Luis Passos: One Art Song

Poema Lido

Video Poema – Bishop in Art

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: